O Som Do Rugido Da Onça
O livro “O som do rugido da onça”, escrito por Micheliny Verunschk, apresenta uma mescla entre ficção e fatos históricos, abordando temas como: apagamento cultural, memória, decolonialidade e cosmovisão indígena. O texto teve como inspiração acontecimentos reais, visando construir uma história impactante e significativa.
Ao longo da narrativa, a autora evidencia episódios ligados à violência e à exploração sofrida pelos povos originários no Brasil, especificamente no século XIX, como o dos naturalistas alemães que se apropriaram de duas crianças indígenas (Iñe-e e Juri), tratando-as como objetos de estudo em território europeu. A obra articula essa trajetória dolorosa à busca de Josefa por sua ancestralidade, a partir da visita a uma exposição em que a personagem vê as fotos das duas crianças.
A publicação se destaca por sua forma única de abordar temas relevantes de uma maneira poética, despertando uma reflexão sobre acontecimentos históricos que por muito tempo foram tratados de maneira negligente. Assim, os temas são tratados de uma forma aprofundada e não romantizada. A escolha dos nomes dos personagens é um ponto interessante a ser observado. Iñe-e em tupi-guarani é o componente central da “alma” ou “espírito”, significando “fala”, “palavra”, “linguagem”, “fala de/da”. Iñe-e é a fala que sai da alma, o termo foi utilizado para reforçar a importância da voz que, durante um período considerável de nossa história, foi brutalmente apagada, além de promover visibilidade aos nossos povos originários.
Portanto, a obra desenvolve um papel extremamente relevante ao evidenciar não só a violência e o processo de invisibilização cultural, mas também a busca por gerar conhecimento cultural a partir de nossas próprias vivências, ou seja, de maneira decolonial.
O texto contribui, dessa forma, para a valorização das memórias e vozes dos povos indígenas e demonstração de sua resistência, incentivando assim um “despertar cultural” na sociedade contemporânea.